Na Minha Estante: Mathieu Lindon, “O que amar quer dizer”

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Um amigo leu o post que fiz sobre o “Só Garotos” e me emprestou o O que amar quer dizer, com a ideia de que se tinha gostado tanto daquele, gostaria desse também.

Sim, ele acertou. Adorei. Mas…*

O que amar quer dizer é um relato autobiográfico que o escritor e jornalista Mathieu Lindon faz, dos seus anos de convívio com Michel Foucault.

Também de seu relacionamento com o seu pai, o criador da Les Éditions de Minuit, Jérome Lindon.

Imediatamente, alguns pontos me chamaram muito a atenção.

O fato de que retrataria histórias com Foucault, filósofo que estudei ao final da minha graduação e no meu mestrado. Mas não, a obra dele não tem espaço em O que amar…O que nos é mostrado ali é a percepção, a idealização que Lindon faz dele. A gigantesca importância que teve em sua vida.

Jérome Lindon, como editor, publicou obras de ninguém menos que Pierre Bourdieu, Gilles Delleuze, Marguerite Duras e Samuel Beckett, entre outros. Mathieu relata o crescer em torno de tanta literatura.

Entre o amor mais tolhido, mais contido, do pai e o mais escancarado do amigo, Lindon nos leva a uma Paris da década de 70 e 80, regrada de muito sexo, drogas e literatura.

E a AIDS.

Assim como em Só Garotos, só resta agradecer que tiveram os que sobreviveram a tudo aquilo, para nos contar.

Mas, honestamente, sabem o que mais me chamou atenção no livro?  Na sua orelha, vinha escrito:

“Este é um livro de gratidão, ao amigo e ao pai, pelo amor que ambos lhe ofereceram”

Gratidão é uma das minhas palavras favoritas na vida. Gratidão Liberdade.

E, de fato, o livro é uma bela ode à gratidão.

De leitura fácil, graças à cadência imposta pelo autor. Mas doloroso ao tratar as perdas da vida, o como lidar com a auto afirmação e aceitação.

* O meu “mas” ao livro está no fato de que, quando ele me foi emprestado ocorreu a ligação com o Só Garotos, como falei lá em cima. E como este me marcou tanto, acho que de certa forma fiquei esperando por aquele momentos em que o O que amar quer dizer faria o mesmo comigo. O que não aconteceu.

Sem problemas. É um “mas”  bem pequeno frente à beleza do livro.

Muito recomendado!

E Jacques, muito obrigada pelo empréstimo.

Volto mais tarde | Ao som de Blur – Under the Westway |

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