Coluna da Primogênita: A Impressionante Alemanha

Esse texto foi escrito em dois tempos: a primeira parte, de dentro do trem, partindo de Munique a caminho de Berlim, após uma semana de passeios e a segunda, no avião de volta ao Brasil. Tento aqui traduzir em palavras os meus sentimentos, ainda durante a viagem!

A Alemanha nunca esteve entre as minhas prioridades de viagem. Mas, deveria ter estado. O meu cunhado mora em Munique e nos últimos anos, tenho ouvido falar muito daqui. A curiosidade foi aumentando e finalmente a viagem aconteceu. E agora estou completamente encantada, impressionada e comovida com o passado e o presente dos alemães!

O sensacional Olympiapark em Munique,  construído para os Jogos Olímpicos de 1972. Foto: Arquivo Pessoal.
O sensacional Olympiapark em Munique, construído para os Jogos Olímpicos de 1972. Foto: Arquivo Pessoal.

A primeira coisa que me causou profundo impacto ao chegar aqui foi a relação das pessoas com as cidades e com o meio ambiente. Munique é a cidade onde me senti mais próxima dos conceitos de cidadania, de respeito e preservação do local onde se habita. Somente em Amsterdam, vi tantas bicicletas sendo usadas no dia a dia das pessoas. E aqui incluo muitos idosos, mães com seus bebês colocados em carrinhos anexos, crianças, executivos, todos desfrutando deste meio de transporte limpo. As ciclovias são bem conectadas com a malha viária e há um respeito enorme aos ciclistas.

Fotos: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

 

bicicletas
Foto: Arquivo Pessoal

O transporte público é extremamente eficiente. Metrôs, ônibus, trams funcionam em conjunto. Todas as estações de metrô que passei tinham escadas rolantes, então, viajantes, não se preocupem, vocês não irão sofrer muito carregando as malas!* Talvez, toda essa funcionalidade do transporte público, por outro lado, explique o tanto que eles são ruins na hora de estacionar o carro! É cada barberagem que se vê! Kkkk…devem estar desacostumados a usar o carro, só pode!

As super limpas estações de "U-Bahn", o metrô de Munique
As super limpas estações de “U-Bahn”, o metrô de Munique. Foto: Arquivo Pessoal.

As ruas são limpíssimas, os parques super verdes e bem cuidados, sendo muito utilizados pelos locais, tanto para o lazer quanto para a prática de atividades físicas. A coleta de lixo reciclável faz parte da rotina e os supermercados “bios” estão espalhados por todo canto, representando uma preocupação com o que se alimenta, valorizando os alimentos regionais, orgânicos, sem agrotóxicos. Ao longo deste trajeto da viagem de trem, vejo quilômetros e quilômetros, à perder de vista, dedicados às placas de captação de energia solar e à medida que vou me aproximando do norte do país, aumenta o número de moinhos de energia eólica. Fontes renováveis de energia são muito estimuladas.

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Englischer Garten, Munique.  Fotos: Arquivo Pessoal
Confirmando a hashtag da queridíssima @nandanasser: #aalemanhaéverde! Englischer Garten, Munique.
Fotos: Arquivo Pessoal

 

Surfe no rio. Englischer Garten, Munique. Foto: Arquivo Pessoal.
Surfe no rio. Englischer Garten, Munique. Foto: Arquivo Pessoal.

 

O desenvolvimento sustentável pode não ser interpretado somente do ponto de vista ambiental mas também do social. A maior economia da Europa parece não cultivar a lógica do capitalismo selvagem e preserva muitas conquistas favoráveis aos seus cidadãos. Por exemplo, domingo o comércio não abre, é dia de descanso e ponto final. Ao aproximar o horário final do expediente, as lojas anunciam aos clientes o fechamento, e quando isso acontece, você é literalmente colocado para fora, independente de ter terminado ou não as suas compras. Afinal de contas, o horário de trabalho dos funcionários chegou ao fim e isso é respeitado!

Outro ponto que me chamou atenção: os alemães são mais solícitos, divertidos e descontraídos do que o caricatural senso comum idealiza. A Copa do Mundo já havia desmistificado essa imagem, e a confirmação é ótima! A barreira da língua é, em geral, facilmente transposta já que nas grandes cidades, os alemães mais jovens falam inglês fluentemente. E com aqueles que não falam, a língua dos sinais e da mímica não é tratada com desprezo!:)

Mas nem tudo são flores e é impossível vir à Alemanha e não se confrontar com a sua história recente: a ascensão do nazismo, um dos regimes mais brutais que a humanidade já conheceu, a derrota na Segunda Guerra Mundial e a então divisão do país em dois blocos: a República Democrática Alemã, oriental e comunista e a República Federal Alemã, ocidental e capitalista. Essa dualidade político-econômica foi o marco da Guerra Fria e durou até 1989, com a queda do muro de Berlim. Tudo isso em menos de cem anos, no século XX. As marcas estão por toda parte, igrejas destruídas, marcas de tiros nas fachadas, memoriais, museus, tudo para não deixar que os alemães nem todo o mundo esqueçam toda a violência e crueldade na qual o país se envolveu tão recentemente. Ver toda essa história, de frente, é um soco no estômago! Ao me confrontar com a barbárie que a humanidade é capaz de produzir, precisei de momentos de total introspecção, silêncio e oração! A história já é de longa data conhecida mas estar no lugar onde tudo aconteceu é muito visceral e demanda reflexão. Não é um turismo fácil de se fazer, sob essa perspectiva!

A loucura representada pelo Muro de Berlim. Foto: Arquivo Pessoal.
A loucura representada pelo Muro de Berlim. Foto: Arquivo Pessoal.

Memorial do Holocausto ou Memorial aos Judeus Mortos - Berlim. Foto: Arquivo Pessoal
Memorial do Holocausto ou Memorial aos Judeus Mortos – Berlim. Foto: Arquivo Pessoal

Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, Berlin.  O restante da igreja, que não foi destruído na guerra, foi conservado de tal maneira, no centro da cidade, como um manifesto contra a guerra.
Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, Berlin. O restante da igreja, que não foi destruído na guerra, foi conservado de tal maneira, no centro da cidade, como um manifesto contra a guerra. Fotos: Arquivo Pessoal.

 

E foi por isso, que eu coloquei o adjetivo impressionante, no título deste post! Acho incrível pensar que mesmo com essa história absurda, tão recente, o país tenha se transformado de uma maneira tão positiva. Obviamente, ainda há muitas questões a serem vencidas, – os skinheads, a questão dos imigrantes e da União Européia, só para citar alguns – mas é fascinante ver o tanto que se fez em tão pouco tempo! Realmente, impressionante!

* Vale dizer que isso foi em Munique, o metrô de Berlim funciona como os metrôs de todas as grandes cidades, não tendo à disposição escadas rolantes em todas as estações. Mas ainda assim, funciona super bem sendo muito fácil se deslocar pela cidade.

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5 comentários em “Coluna da Primogênita: A Impressionante Alemanha

    1. Noemi,
      You have no idea how happy I was to read your comment here! Thank you for your compliments and specially for taking some of your time here! Hopefully, soon I might be able to write an update on the beautiful Basque Country!!! Wouldn’t it be great? Love, Bela.

      Curtir

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