Dica de Leitura: Mais Um Pouco Sobre o Antes da Meia-Noite

Eu já discordei veementemente do Pablo Villaça quando o assunto é política, no Facebook.

Como cansei, optei por ficar apenas com suas críticas de cinema.

Fiz bem, porque o texto que ele escreveu sobre o amado Antes da Meia-Noite ficou muito, muito bom!

before-midnight

Construído a partir de longos planos que permitem que os diálogos fluam com uma naturalidade que nos aproxima de seus personagens (uma abordagem já presente nos filmes anteriores), Antes da Meia-Noite se beneficia do envelhecimento/amadurecimento do casal de atores: agora um homem com abundantes linhas de expressão e a voz enrouquecida pela idade e pelo cigarro, Ethan Hawke surge como um homem que ainda exibe a jovialidade do passado, mas contrabalançada agora pelo peso do tempo, ao passo que Julie Delpy, com rugas e alguns quilos a mais (que ela exibe com o conforto que a autoconfiança proporciona), parece ainda mais linda como mulher do que era como garota. Assim, se antes discutiam sobre o futuro, suas ambições, receios e sonhos, Jesse e Celine passam a se concentrar nos equívocos do passado e nos problemas do presente, referindo-se ao futuro apenas como um hipotético cenário no qual se encontrariam no velório do parceiro.

E aí reside a genialidade de Antes da Meia-Noite: seria fácil construir um terceiro capítulo romantizado que atuasse como clímax dos encontros anteriormente adiados, mas optar por trazer Jesse e Celine já num contexto de casal amadurecido é algo que oferece um olhar adequado e natural sobre a experiência de um amor consumado. Ora, se antes os jovens se conheciam e reconheciam, desta vez se possuem com uma familiaridade que apenas a convivência traz, substituindo a idealização do passado por um conforto óbvio diante um do outro – e também por uma irritação subjacente perfeitamente compreensível. Por outro lado, se antes podiam apenas tentar adivinhar o que se passava na mente um do outro, agora Jesse e Celine possuem PhD em Celine e Jesse, respectivamente, conhecendo-se bem o bastante para se tornarem fatais em uma discussão por saberem exatamente onde acertar, que ferida espremer e que memória azeda do passado recuperar no momento propício.

Para ler o texto completo, clique na figura.

Volto mais tarde | Ao som de Sharon Corr – No Frontiers |

 

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