Esportes: F1 e a polêmica na Malásia

podio-malasia

Eu pensei em escrever um texto sobre a polêmica ultrapassagem do Sebastian Vettel sobre o Mark Webber na corrida da Malásia.

Mas aí li o post do Ivan Capelli (que não é o piloto) no seu blog e pensei: “Ah, ele escreveu exatamente o que eu penso…”

E aí vem a mais contraditória das situações: os espectadores e fãs, em geral, detestam jogo de equipe. Querem ver briga na pista, e ela houve. Mas ninguém gostou da atitude do tricampeão e houve uma espécie de compaixão por Webber, por mais que normalmente todo mundo queira mesmo que um piloto mande ordens de equipe às favas. Que vença o melhor, não é isso? Vettel não foi o melhor?

Não. Simplesmente porque ambos estavam em condições desiguais. Webber obedeceu ordens, reduziu a potência, diminuiu o ritmo. Vettel ligou o foda-se, passou e não deu ao companheiro a chance de brigar em igualdade. Foi traíra. E de traíra ninguém gosta.

Tipo isso. Para ler o restante, clique em Azedou de vez.

Tem também o post do Fabio Seixas: Sobre o duelo Vettel x Webber.

Vettel foi desleal quando colocou um carro com força total para duelar com outro meia-bomba. Foi uma disputa desequilibrada, sem igualdade de condições. Ele se aproveitou de uma informação interna, de uma ordem, desobedeceu-a e tirou vantagem. Fez uso da tão famigerada “lei de Gerson”. Webber mandou um dedo médio para ele após a ultrapassagem. Acho que, de cabeça quente, eu faria pior;

(…)

Por fim: a decisão de Vettel de ignorar a ordem é compreensível. O alemão tem aquele mesmo instinto de pilotos como Senna, Prost, Piquet, Schumacher, Alonso. Aquilo que, nas quebradas por aí, chamam de “sangue nos óio”. Aquilo que tanto faltou em pilotos brasileiros, gerando críticas e mais críticas. No calor da corrida, o sujeito simplesmente desliga o cérebro. Quer vencer e mais nada, mesmo que isso jogue pro ralo a corrida de sua equipe inteira. Acho que é isso que Vettel tenta explicar ao falar que “não foi de propósito”. Claro que foi. Mas foi quase inconsciente, foi puro instinto, tal a adrenalina do momento.

Vettel hoje entrou para a turma dos pilotos que citei. Em termos de talento, dos melhores. Mas cheios de atitudes controversas e anti-esportivas no currículo.

Do Flavio Gomes: Sepânguicas(4)

Aí, um dos dois não acata a instrução. No caso, Vettel. E coloca o outro numa situação de desigualdade, sem que ele saiba. Exagerando, seria algo como ter um motor com dois cilindros a mais. O que está na frente, Webber, acredita que o que está atrás, Vettel, fez o mesmo e “desligou” dois cilindros. Mas o que está atrás não fez o mesmo.

Aí é sacanagem. O que é combinado não é caro, diz o ditado. Se Webber soubesse que Vettel não tinha colocado seu motor para baixo, que não tinha entrado em “modo Multi 21″, não colocaria o seu, também. E teria chances iguais de ganhar a corrida. Aí aparece Vettel babando e acontece a briga — linda — na pista. Uma briga desigual, porém.

Finalmente, Victor Martins em Negaraku, 3:

As situações são bem diferentes. Webber andou tão rápido quanto Vettel durante a corrida toda e só baixou o ritmo porque veio uma ordem do rádio pedindo para tal. Havia ali uma combinação prévia entre as partes, certa e sabida pelos dois que deveriam saber, de que daquela forma deveriam terminar a corrida. Sebastian desobedeceu. Aos que já o comparam com Senna, que ele teria feito o mesmo, Schumacher, essa coisa toda, sim, é até válido comparar. Porque Vettel foi tão sujo e desonesto e sacana quanto todos estes que se tornaram ícones do esporte. E todo mundo teria de se pôr na situação, ou mesmo no seu trampo, se gostaria de ser passado para trás diante de uma palavra honrada de um colega de trabalho ou de sua empresa. Certamente haverão de achar que quem lhe passou a perna é um filho da puta inescrupuloso.

(…e o melhor):

E olha que isso não aconteceu com a Ferrari. Porque se tivesse ocorrido, putaquemepariu, a grita que se estaria fazendo agora chegaria a Brasília com uma série de liminares para que Dilma interviesse na F1. Todos os que estão achando lindo e maravilhoso o que Vettel fez certamente haveriam de ficar putitos se fosse Stefano Domenicali pedindo para que Massa deixasse Alonso passar porque Fernando está mais rápido que ele, ou ainda pedindo que Felipe segurasse a peruca e visse o espanhol deitar e rolar. “Ah, mas essa Ferrari é ridícula, que absurdo, como fazer isso com Massa, é ridícula”, mas como foi com Vettel, e ninguém deve abrir mão das vitórias, pode. Além de caráter, gente, critério é bom.

Mas depois disso tudo, ressalto:

Por mais que eu acha que o Vettel tenha errado, sou 1 milhão de vezes mais ele que o Webber e outros que não têm “sangue nos óio”.  Mas que não foi legal, não foi.

E o excelente Pilotoons, do Bruno Mantovani.

pilotoons

Volto mais tarde | Ao som de Oasis – Carry Us All |

One thought on “Esportes: F1 e a polêmica na Malásia

  1. Baixou o Michael Schumacher no Vettel, pois pediu para a equipe para dar ordens para o Webber “sair da frente”. Lamentável, pois o piloto alemão não precisa disso para superar o australiano, que aliás, é um dos mais chatos e burocráticos da F1.
    No fim o Vettel acabou dando uma de malandrinho e passou o Webber. Como eu li em um fórum, pediu desculpas mas os 25 pontos ficaram pra ele

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