Esportes: Roger Federer e a Volta ao Lugar de Merecimento

Algumas emoções, só o esporte é capaz de nos proporcionar.

Lindo!

Um dos posts que escrevi aqui no blog que deu mais rebuliço, principalmente no Facebook, foi o “Esportes: Rafael Nadal, pelo prazer de dar o braço a torcer“.

Depois dele, muitas pessoas (primogênita) passaram a achar que eu sou torcedora do Nadal, mesmo eu escrevendo, em letras garrafais, que o Federer é o dono do meu coração.

E esse rapaz me fez chorar hoje. Muito mais do que por voltar a ser o #1 do mundo, ou por bater o recorde do Sampras de semanas na liderança do ranking (isso acontecerá, de fato, no dia 16).

Mas por dar uma aula, daquelas pouco vistas, na história do esporte!

Lindo!!

Nos últimos anos, o mundo viu o crescimento de dois tenistas, Nadal e Djokovic, que juntos ao suíço levaram o tênis a um nível absurdo.

Muitos diziam que Roger ficou para trás dos dois, que não dava mais conta deles.

Há quem discorde, como o Alexandre Cossenza, que no blog Saque e Voleio, escreveu:

“(…) A cena é tão comum que os reveses ante Berdych e Tsonga chocaram os fãs do esporte. Houve quem dissesse que Roger Federer estava em evidente declínio, que a aposentadoria não demoraria a vir. Bobagem – coisa de quem se recusa a enxergar o nível alcançado por Novak Djokovic e Rafael Nadal. O suíço jamais caiu, e se você acha o contrário, que vá olhar VTs antigos para comparar. O tênis de hoje tem mais potência, é mais veloz, mas Federer continua na elite, no topo. Experimente só procurar no ranking os tenistas que “ameaçavam” o domínio do suíço seis, sete anos atrás. O jogo ficou rápido demais para o australiano Lleyton Hewitt, um dos maiores contra-golpeadores de sua geração. As devoluções também evoluíram, e Andy Roddick, outro exemplo, não consegue mais impor seu saque como antes. Ivan Ljubicic foi outro que não acompanhou a velocidade e, já faz tempo, tornou-se figurante no circuito. Fernando González, Nikolay Davydenko, Tommy Haas, James Blake, Juan Carlos Ferrero… todos acabaram ficando para trás. Mesmo quando não foi superior a Djokovic ou Nadal, Roger Federer sempre evoluiu, sempre se manteve no topo. Que mais este título em Wimbledon – o sétimo – deixe de vez a lição na mente dos incrédulos.”

Eu sentia um nervoso imenso quando ouvia, principalmente, as pessoas questionarem se ele é o melhor jogador de todos os tempos. De repente, todos os feitos do Federer pareciam não valer nada, porque em muitos momentos ele não deu conta dos rivais. A final do Australia Open de 2009 foi um desses momentos.

Mas o que mais me impressionava era ver/ler as entrevistas dele, durante todo esse tempo. Não falava em aposentadoria, em desistir de voltar ao topo.

E, assim, foi se mantendo perto do topo. Até o dia de hoje, que ele retomou o seu lugar de merecimento.

Sim, eu sei que ele está apenas 75 pontos a frente do Djokovic e que ainda ainda teremos muito campeonatos neste ano.

Mas, essa conquista serve de tantas lições que nem consigo colocar todas aqui.

Acima de tudo, uma lição de superação. Do melhor jogador da história, que não tinha que provar nada a ninguém, mas que mostrou um amor ao esporte poucas vezes visto. Brilhante, Roger, brilhante!

PS: Não poderia deixar passar em a atuação do Murray. Nunca gostei muito dele, que jogou demais hoje.

Mas o que mais chamou atenção foi o seu discurso no final. Absurdamente digno, belíssimo, emocionante. Chorei, óbvio.

Ganhou muitos pontos comigo depois dessa.

Mandou muito bem, moço! Parabéns!

Allez, Roger! Allez, Roger!

Volto mais tarde.

Ao som de Nenhum de Nós – Camila

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9 thoughts on “Esportes: Roger Federer e a Volta ao Lugar de Merecimento

  1. Pingback: Dicas de Apps: Dando o meu braço a torcer ao Evernote |

  2. Ola Vivi, lindo post, alias mais um, parabens mais uma vez!
    O jogo de ontem nao foi o mais sensacional, nao foi mais apertado nem foi a maior exibicao de gala do melhor tenista em todos os tempos, mas nem por isso o resultado eh menos incrivel e nem da pra falar que coroa a carreira dele porque nao ha sinais que va parar por ai tao cedo!
    Eu acho que o Federer, pelo tanto que joga foi o responsavel pela criacao de dois monstros, Nadal e Djokovic, que tiveram que se virar, se desdobrar, superar todos os limites para conseguirem derrota-lo (e derrotarem um ao outro) e como criador teve que descobrir um jeito de superar as criacoes! Foi a luta, treinou, ralou, arrumou um tecnico (humildade em reconhecer que outros poderiam acrescentar), perdeu, nao desistiu, tentou de novo e triunfou, alias seguidas vezes porque hoje em dia nao se chega ao primeiro lugar do ranking com algumas poucas vitorias ainda que em grandes torneios!
    Sou um felizardo de poder assistir esse cara jogar tantas vezes.
    Outras observacoes:
    - concordo em genero numero e grau com o q vc disse sobre o murray ao final do jogo, carater e coracao enormes
    - nadal e djokovic tem caido um pouco no meu conceito pelas declaracoes apos as suas derrotas
    - quem disse q o federer estava decadente, foi tao miope que nao consegue enxergar que algumas de suas derrotas foram absurdas, como as duas semis do us open quando teve duplos match points, ano passado ele teve um dos seus melhores desempenhos em paris quando conseguiu arrancar um set do nadal na final, quem mais conseguiu isso??
    - ainda falta muito pra acabar o ano mas as perspectivas sao otimas: poucos pontos pra defender ate o us open, um torneio a mais (olimpiada) no piso favorito e pontos a defender em quadras cobertas aonde reina absoluto. O n1 ate o australian open eh bem provavel…
    Beijos
    Bernardo

    • Oi Bernardo,

      Muito obrigada pelo belo comentário! Tão completo que acho que não tenho nada a acrescentar!

      Só ressalto um ponto, em que concordo plenamente com você e que gostei bastante:
      “Eu acho que o Federer, pelo tanto que joga foi o responsavel pela criacao de dois monstros, Nadal e Djokovic, que tiveram que se virar, se desdobrar, superar todos os limites para conseguirem derrota-lo (e derrotarem um ao outro) e como criador teve que descobrir um jeito de superar as criacoes!”

      Perfeita colocação!

      Volte mais. Abraços.

  3. Parabéns pelo post. Essa conquista cala boca de muito babaca. CItar uns aqui que duvidaram do Federer.

    Renato Mauricio Prado –
    Ivan Lendl
    Marat Safin

    E os demais que duvidaram do REI.

    • Eu fico pensando o que deve estar passando na cabeça dele, agora. Ao lembrar de todos que não acreditavam mais nele….

      Muito obrigada pelo elogio! Se quiser compartilhar entre seus amigos, fique a vontade :-)

      Abraços

  4. “Mas, acima de tudo, Roger trouxe às quadras uma aliança raríssima de técnica, finesse, exuberância física, talento natural, disciplina, plasticidade e determinação. Todas essas são qualidades que, por vezes, sozinhas são o bastante para construir um campeão. No entanto, juntas, constroem um ídolo, uma unanimidade.”

    Paulo Cleto.

Comentários

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